Meg e Eu


09/06/2010


 
 

3º passeio com focinheira

Hoje encontramos Lance, o namorado de Meg e com quem ela teve 6 filhotinhos. Passamos longe pois não queria que ele a visse daquela forma. Como iam se cheirar ? Ele estava livre, leve e solto, passando a chuva embaixo da marquise de uma vendinha daqui do bairro, encostadionho nas pessoas e bem comportado.

Lucia, minha prima e grande adestradora de animais me sugeriu que eu levasse Meg para todos os lugares que eu fosse, mesmo de carro. E assim eu fiz. Fui ao Super Mercado e ela ficou quietinha dentro do carro, olhando atentamente para tudo e todos. Nem um latido. Depois levei-a à casa de Telma, minha sobrinha e enfrentamos um trânsito danado com chuva forte. Os carros que ficavam próximos ao nosso, no engarrafamento, ela dava uma latidinha para os motoristas, um alô, penso.

Acho que Meg não precisa de tanto exercício físico como eu pensava. Depois dos passeios de carro ela volta calminha para casa, com sua mente cheia do que viu e observou.

Resolvi só usar a focinheira para entradas e saídas do prédio. Ou vou exclui-la até eu chegar da ilha de Orkeney, na Escócia, onde compraria com a ajuda de Lúcia, focinheiras próprias para um lady. Até Caio já está planejando levá-la à praia de focinheira e me sugeriu deixar ela avançar sobre os outros com a focinheira para ver que não vai adiantar nada. Mas, e os outros?

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 18h50
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02/06/2010


 
 

2º passeio com focinheira

Hoje saímos de novo, Meg e Eu para uma volta pequena pelos arredores do apto. Passando pela banquinha de revistas o dono brincou: "É fera mesmo"? "Parece tão educada"... Engoli em seco e segui adiantando o passo e quando dei por mim já estava passando em frente ao Pet Shop que somos  freguesas. Passei rígida pelo passeio oposto mas não pudemos evitar de encontrar uma senhora com o seu também cocker spaniel macho preto. Eles se cheiraram, frente e fundo e ela perguntou por que eu usava "aquilo" em Meg... Que ela nunca - mesmo em Pit-Bulls - tinha visto algo semelhante. Aí eu contei os meus, nossos infortúnios a ela, enquanto Meg, alheia a tudo, parecia feliz em encontrar um amiguinho.

No retorno para casa encontramos Lo...uquinha limpando o prédio e aí Meg latiu para ela e queria partir para ela o que logicamente não deixei, segurando a guia forte sem me descuidar, como da vez anterior.

Já estou pensando nas focinheiras que comprarei em Orney (Escócia) para Meg. Típicas de uma lady e já vislumbro uma discreta, de plástico, para irmos à praia nadar à noitinha. Compensações da vida...

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 10h35
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01/06/2010


 
 

Meg está usando focinheira

Meg mordeu (arranhou) a perna da empregada do condomínio num encontro súbito que tivemos na saída do elevador. O síndico ontem veio aqui em casa falar sobre "coisas do condomínio" e aproveitou para discorrer sobre o fato. Relembrou que ela já o mordeu, que assustou o neto de Da. Mariá do 3º andar e que mordeu Fifi, a cadelinha do 1º andar.Parece que a reputação de Meg no prédio não está muito boa...

Fiquei muito triste com essas súbitas reincidências de Meg. Mas, ela deve ter direito a uma defesa, um advogado, talvez. Quando mordeu (verdadeiramente) o síndico e arranhou a perna de Luquinha (não Louquinha...), empregada do condomínio, ela estava comigo e a culpa pode ter sido minha. Assustar o neto de Da. Mariá talvez fosse uma tentativa de fazer amigos, escapando pela porta aberta da cozinha e descendo correndo as escadas do prédio em busca de liberdade e amigos; com relação à Fifi, ela é tão pequena que mais parece um rato e Meg seguramente não notou a diferença.

Mas confesso que estou muito preocupada com essa situação.E resolvi comprar uma focinheira para ela entrar e sair do prédio. Parecia uma solução simples, mas quando liguei para as pet shops que Meg frequenta perguntaram surpreendidos: focinheira? Prá Meg? Como se isso fosse a coisa mais absurda do mundo. Tive que sair do meu bairro e ir ao subúrbio para comprá-la pois me parece que cães de bairro não a usam - nunca vi nos meus cinquenta e poucos anos de vida um aqui na Barra, nem em Pit-Bulls). Comprei uma focinheira de metal, aberta - a única que achei - para dar liberdade a Meg de respirar e latir, pelo menos. Fiz a primeira experiência ontem e me senti muito mal em ver a minha Meg parecendo aquele cara da cena do filme canibalista...Ela estranhou um pouco mas me deixou colocá-la, pois sabia que ia passear, coisa que ela gosta mais do que mesmo comer.

Na rua foi olhada e discriminada por estar usando aquele objeto estranho de ferro que mais parecia um enorme aparelho para consertar dentes e face. Lembrei-me do meu filho Caio quando precisou usar um aparelho nas pernas para consertar um defeito congênito... Ele enfrentou isso heroicamente como Meg está enfrentando a focinheira. Ah, que tristeza... O pior foi a vergonha que tive de justificar aos curiosos dizendo que "ela não morde mas late muito"...

Na porta da padaria ela sentou-se educadamente como sempre, aguardando na minha volta o seu pedaço de pão por bom comportamento...Mas como dar-lhe recompensa com aquela mordaça na boca? Ela olhou-me com os seus olhinhos cor de jabuticaba, esperando o pedacinho de pão habitual e eu quase morri...

Sentimentos diversos me acompanham agora quando saio com Meg. Pena, por ve-la discriminada e diferente dos outros cães e vergonha, por expo-la a tal situação constrangedora. Vou procurar uma focinheira tipo cestinha, de tecido, couro ou plástico, para atenuar a visão dela que está parecendo uma Meg...era.

Com tristeza,

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 19h55
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20/12/2009


 
 

Novo Adestrador

Meg tem um novo adestrador. Chama-se Pablo e é argentino... urg! Será que se pode confiar em  argentinos? Eu o conheci guiando um labrador chamado Mathias de  lenço vermelho no pescoço. O cão. Perguntei se conhecia alguem que caminhasse com cães - Meg está muito pesada e continua me puxando muito nos passeios- Ele seapresentou e no dia seguinte me trouxeum formulário tipo questionário para eu responder sobre Meg e devolvê-lo no dia seguinte. Levei cinco dias para preenche-lo. Nem nas consultas pediátricas com o meu filho me perguntaram tanta coisa...Confesso que fiquei um pouco impressionada com ele. Mas será que se pode confiar em argentinos? Por via das dúvidas 2 dias depois de Meg já estar saindo com ele resolvi ir no Pet shop que ele me indicou para referencias. Falaram que ele é confiável e tudo mais. No dia seguinte Meg empacou um pouco para sair. Incentivei-a um pouco e ela foi. No outro dia resolvi segui-los, às escondidas, é claro. Encontrei-os no topo da ladeira Meg tomando o seu lugar à direita dele com Mathias no esquerdo. As guias nem se cruzavam...Vamos aguardar. Na pior das hipóteses Meg aprenderá mais uma lingua...

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 23h20
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12/09/2009


 
 

Tentativas com Billie

O destino reuniu Meg e Billie num encontro às vesperas de um novo cio. Sr. Eduardo insistiu para que tentássemos de novo, dessa vez, no meu apartamento que tem um grande área no fundo, onde os cães poderiam ficar à vontade, sem ninguém a os observar.

A odisséia recomeçou. Meg esfregava o traseiro no focinho de Billie, ele, com um certo esforço,  subia nela mas não acertava o alvo. Fazia os movimentos pélvicos apontando para o ar, pensando, sei lá, que aquilo estava bom para ambos... Meg começou a ficar entediada e indiferente, a olhar para cima, distraída, aguardando um tiro certeiro que não vinha nunca. Aí então pulava fora e subia em cima dele, movimentando-se freneticamente, mostrando como fazer. Ele tentava de novo e nada de acertar o alvo. Sr. Eduardo torcia e o incentivava baixinho, lá do alto do meu apartamento, como se ele pudesse ouvi-lo, como fazemos em competições de natação, quando o nadador está com a cabeça na água e não pode ouvir nada.

Deixamos os dois nesse jogo quase uma tarde toda até que insisti para que parássemos e tentássemos um outro dia (mentira branca) pois Meg estava toda coberta de baba, molhada mesmo e Billie parecia que ia ter um ataque de coração, cansado que estava, com meio palmo de língua para fora. Só língua mesmo...

Despedi-me do Sr. Roberto com a nítida impressão de que não o procuraria mais para tal fim. Ele, todavia, crê que, em outro dia,  Billie  cumprirá suas funções de reprodutor. Tem pai que é cego...

Até o  próximo candidato,

 

Dilu Machado

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 13h06
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31/05/2009


 
 

Mordidas e Seguro

Há bastante tempo não escrevo nada sobre Meg.

Suspendi o adestramento para me recuperar dos gastos que tive com renovações de seguros de carro mas penso que devia mesmo era ter contratato um seguro contra mordidas pois Meg mordeu o pé do nosso vizinho de cima, também síndico do prédio . A relação dos dois não era boa. Quando ele se encontrava com ela a provocava com afagos exagerados - o que é inaceitável  para uma lady. Como represália ela late, de furar os nossos tímpanos, quando ele abre a janela do seu apartamento acima de nós.Ela pensa que o andar de cima nos pertence também. Aliás ela pensa que todo o prédio é nosso e encontrar condôminos nos corredores sempre é um problema - daí o cuidado que temos quando saímos com ela nas áreas comuns do prédio (de serviço, diga-se de passagem).

O fato ocorreu quando nos encontramos no play ground . Ele tentou lhe fazer afagos e ela latiu muito p'ra ele. Naquele hora eu ingenuamente pensei que - quem sabe - poderiam se tornar amigos e afrouxei a guia para que eles se encontrassem. O resultado foi uma mordida no peito do pé do Nadai. Corri escadas abaixo para buscar band-aid e água oxigenada para limpar o ferimento e no caminho encontrei a esposa dele. Culpou o marido que vive "aporrinhando" Meg. Pobre Nadai, ferido e acusado pela esposa.

Depois que ela mordeu Nadai perdi a confiança que tinha adquirido no adestramento. Meus passeios agora com ela estão bem mais tensos. Ando onde tem menos gente, pessoas do sexo masculino que ela parece odiar: entregadores, carregadores, homens de boné, com guarda-chuvas... Seguro firme a guia e a mantenho curta para ela não se atirar sobre eles. Ajo, agora, como se estivesse montada e conduzindo um cavalo com as rédeas, movendo-as para a direita ou para a esquerda e puxando-as para si para freiar e parar. Parece funcionar. Só mudo o método quando passamos próximas a seres do sexo masculino. Aí encurto a guia segurando-a firme e puxo-a para perto do meu joelho direito, a mantendo assim até os passantes se afastarem. Isso é muito estressante...

Soubemos hoje que Trovão, o primeiro pretendente de Meg, morreu de ataque do coração...Meg podia estar viúva agora e os seus filhotes órfãos.  Ando pensando que ele pode ter morrido de desgosto e vergonha por não ter conseguido cruzar com ela;  a pressão da família sobre ele foi muito grande e o velho coração dele não aguentou...Pobre Trovão. Que Deus o tenha no céu dos cachorrinhos...

 

escrito em 1º de junho de 2007

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 20h53
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Necessidade II

Eu não preciso olhar o mar p'ra saber que ele existe...

Eu não preciso ver o sol para senti-lo...

Eu não preciso sentir a brisa  para refrescar-me...

Eu não preciso observar as estrelas para ve-las...

Eu não preciso viver para saber que estou viva.

Categoria: Poesias
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 20h05
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08/04/2009


 
 

A nova Coleira

 

 

 

 

 

A novidade é que comprei a nova coleira enforcadora para Meg, por sugestão de Eliana, para que pudéssemos passear tranquilamente, sem solavancos ou puxadelas súbitas. O primeiro passeio foi quase perfeito se eu não sentisse tanta dó e culpa em puxar a guia e apertar o pescocinho de Meg à primeira desobediência dela. Meg, porém, continuava resistindo em caminhar ao meu lado e atrás dos meus calcanhares. Partia na minha frente, me puxando com força e impetuosidade, liderando o passeio na sua ânsia de ver o mundo primeiro. No máximo, o que eu conseguia era um caminhar dela à frente, com algumas espiadas para trás que se traduziam em: "Vamos, ande mais rápido pois quero marcar o meu terreno antes que outros o façam". Eu obedecia e a seguia ladeira abaixo e acima, sendo puxada vigorosamente para todos os cantos, a depender da "mood" e do interesse de Meg. Andávamos em marchas completamente distintas, ora lideradas por mim, ora por ela.

Eliana aprovou a coleira. O teste de obediência foi marcado: Meg teria que ficar todo o tempo do adestramento - 35 minutos - sentada no play da portaria do prédio, usando a coleira, afastada de mim, sem se mover à chegada ou passagem de condôminos e desafetos. Ela resistiu à prova e quando se cansou deitou-se sobre as patinhas o que foi considerado ok por Eliana, desde que ela ao fazer isso não fosse deslizando furtivamente à minha direção, pedindo apoio e burlando a visão de Eliana. Foi um bom teste pois nunca ví Meg comportada daquele jeito no nosso play.

Em casa, após a despedida de Eliana, resolvi repetir o teste na frente do meu filho e namorada para provar a minha recém adquirida liderança sob Meg. Coloquei a nova coleira nela e pedi para que ela se sentasse e ficasse. Ela sentou-se elegantemente e ficou quietinha por um bom tempo. Quando achei que já estava na posição há tempo suficiente que não me desmoralizasse, chamei-a para vir a mim e nada aconteceu. Chamei-a de volta e ela permaneceu lívida e parada no mesmo lugar, na mesma posição. Chamei outra vez e nada, ela nem se mexeu. E agora? Pensei eu. Como retirá-la daquela posição? Quando eu já estava pensando seriamente em ligar para Eliana a namorada do meu fiho sugeriu: É a coleira nova, tia". "Tire a coleira". Tirei, hesitante e imediatamente Meg saiu do lugar, atendendo ao meu chamado.

Não preciso dizer como me senti inadequada, como pega em uma falha. E agora? pensei. Será que Meg só vai me obedecer com a nova coleira no pescoço? Bem, pelo menos já é alguma coisa...

Até o próximo adestramento,

11.03.07

 

 

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 23h31
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30/03/2009


 
  Cachorro Racional

 

 

 

Mundo animal... Cachorro racional.... (bis)

Ele é tricolor

torce p'ro meu time

ele é o meu amor

 

Ele é o Snoopinho

lhe chamam de babynho

sempre de bom humor

 

Mundo animal... Cachorro racional.... (bis)

 

Por Victor Roude

em homenagem a Snoopy, um beagle que já está no ceu dos cachorrinhos...

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 23h05
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13/03/2009


 
 

Dizer o que se é pelo que se gosta plagiando ...

Gosto de chá preto com leite e pouco açúcar.

Gosto de caminhar, à tardinha, com a minha cadelinha cocker spaniel inglesa Meg; olhar o mar, a baía de Todos os Santos e observar o anoitecer na ilha de Itaparica nos presenteando com os seus pontinhos brilhantes tais quais pequenos colares de pedrinhas preciosas.

Gosto de estudar, ler, refletir e de contradizer. Sou um pouco do contra. Unanimidades me levantam suspeitas.

Gosto de escrever: poesias, crônicas, memórias e estórias engraçadas de turistas estrangeiros na Bahia.

Adoro cantar e ainda espero ser paga por isso.

Às vezes, gosto de cozinhar sem pressão (não de panela), sozinha na cozinha com uma taça de vinho ao lado, sem hora para servir.

Gosto de bater papo, discutir idéias, nunca pessoas ou coisas. Gosto de tocar violão para mim mesma.

Gosto de viajar para qualquer lugar, observar as pessoas e a cultura local.

Gosto de água: doce, salgada, banhos de rio, de cahoeira, de mar. Gosto de frutas, flores, de feira. Gosto de ar puro e de qualquer lugar que o tenha. Gosto muito de cheiros: de mato, de frutas, de flores, de algas, de terra quente chuviscada, de jasmim, lírio, incenso de igreja, lavanda, alfazema - relembram pureza e afastam os maus espíritos.

Gosto de dançar, mas tenho dançado pouco. Só na vida.

Gosto do silêncio, de trocar o dia pela noite para poder andar sozinha e às escuras pela casa fazendo coisas vagarosamente para não acordar a vida.

Às vezes finjo que gosto de festas com muita gente, boates, carnaval, bebidas, barulho e papo careta - só para agradar - mas é enxaqueca certa no dia seguinte.

Gosto de caixilhos, sabonetes, fitas, pentes, canetas - minha arma -  batom e espelhos - coisas de índio - ancestralidade.

 

2006

 

Categoria: Meu perfil
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 22h35
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09/03/2009


 
 

O encontro de Meg com Billie - 2º candidato

 

O 2º pretendente de Meg foi Billie*.  Billie e Meg se encontraram na nossa rua quando ela estava no final do cio, num passeio rotineiro que sempre fazemos. De longe avistamos aquele cocker spanial  preto, grande, elegante, de pelagem impecável, sendo conduzido cuidadosamente por um senhor de aparência distinta e  idônea. Nunca os tínhamos visto antes na rua. A minha cabeça começou imediatamente a trabalhar e antever uma ninhada de puppies malhados de preto e branco. Nova chance para Meg, pensei, agora com um cão de cor preta, que a veterinária tinha recomendado como sendo a combinação ideal para a sua pelagem bicolor.

Após os cumprimentos iniciais ela e Billie ficaram se fazendo de amigos. Ele a cheirou toda, frente e verso ao que ela permitiu tudo pacificamente. O dono de Billie, Sr. Raimundo**, ficou encantado com a aceitação e docilidade de Meg e imediatamente perguntou-me se eu não gostaria de cruzá-la com o seu cão. Meg é inglesa de raça e de nome mas não de maneiras, como vocês sabem.  Billie parecia-me ser inglês em tudo. Até no nome. Estava muito bem cuidado e o Sr. Raimundo me desfilou todos os exames e vacinas que ele fazia regularmente, até exame de próstata, e assegurou-me que Billie estava em plena forma física e mental. Chegando mais perto do cão o examinei e notei que o seu focinho não estava muito lustroso e brilhante, característica de cães jovens. Perguntei a idade dele: - 9 anos -  falou o Sr. Raimundo. Pensei que estava procurando um cão mais jovem para Meg, principalmente depois da experiência que ela teve com Trovão, mas  concluí que 9 anos (56 na vida humana) não era too bad e ambos  parecíamos desesperados em encontrar um par ideal para o nosso cão. Perguntei se Billie já tinha tido alguma experiência sexual o que me foi respondido com um duvidoso balançar de cabeça que poderia ser um sim ou um não. Deduzi que o cão nunca tinha cruzado e que o seu dono ansiava por ve-lo cumprindo aquela função própria dos machos, com uma ninhada para alegrá-lo pois não tinha netos.

Endereços e telefones foram trocados e o Sr. Raimundo me pediu uma foto de Meg para enviar para sua filha - dona oficial de Billie - em Aracaju. Assim o fiz e o retrato foi  enviado com Billie colocado estrategicamente ao lado de Meg na foto, por um desses milagres da tecnologia. Estavam noivos e aprovados por ambas as famílias. Agora era esperar o cio.

Passados alguns dias o destino nos fez reencontrarnos na mesma rua, no mesmo local. Meg não estava mais no cio e ao alcançarmos o passeio do prédio de Billie e chegarmos mais perto dele para o saudarmos, ela deu uma brava rosnada ao que ele, apavorado, colocou-se na defensiva com as patas para trás e escorou-se todo na parede parecendo querer subí-la de costas.

Ví um Sr. Raimundo pálido e medroso, acariciando Billie freneticamente, dizendo-lhe palavras de conforto e o  puxando para bem próximo de si, só não o colocando no colo devido ao peso. Falei para ele que isso era normal, que Meg não iria machucar Billie e que tal comportamento era somente porque ela não estava no cio, e continuava  procurando justificativas para o mau comportamento de Meg. O Sr. Raimundo permanecia pálido e imóvel, sem dizer uma palavra, sempre puxando e segurando Billie para junto de si. 

Nos despedimos um pouco abrupta e apressadamente e em casa reclamei com Meg tal comportamento. Fiz-lhe ver que desse jeito ela não iria nunca conseguir arrumar marido e que não se portasse assim, principalmente em frente aos pais do noivo. Depois rezei para que o noivado não estivesse terminado com esse encontro...

 

Billie* - nome fictício para preservar a identidade do cão

Sr. Raimundo** - nome fictício para preservar a identidade do dono

 

 

 

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 22h58
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02/03/2009


 
 

 

O cio de Meg com Trovão

 

Finalmente chegou o período do cio e imediatamente liguei para Daguimar.  - "Está sangrando?" - "Já parou"? - "Está no dia certo"? questionava ela ao telefone, falando aos borbotões. Concordamos  em levar Meg  para o  play ground do prédio dela, para o tão esperado encontro, embora eu achasse que ficariam expostos, sem privacidade.  Chegamos e o cavalheiro já estava lá, guiado pela mão de Daguimar. Meg, comigo na guia, se antecipou para Trovão antes mesmo de qualquer festa ou cumprimento, partindo para cima dele latindo, quase sem me dar tempo de soltá-la. Trovão assustou-se com tamanha efusão e encolheu-se um pouco. Meg então tentou subir nele, adiantando-se à corte. Trovão esperava ela descer para segui-la pelo play. Fiquei um pouco envergonhada com esse comportamento inesperado de Meg e tentei  distrair Daguimar com desculpas - "Ah ela é assim mesmo, mas não morde". E os noivos ficavam assim: Meg a tentar subir em Trovão e depois seguir sempre à frente, com seu trote peculiar e ele atrás dela, como um fiel seguidor, mantendo uma distância de segurança. Subitamente ela se virava e tentava subir nele de novo. Trovão, pacientemente, esperava que ela se desse conta do que estava fazendo, para recomeçar a segui-la pelo play. Isso tudo intercalado por latidos que Trovão pacientemente suportava com um savoir-affaire inglês.

Daguimar e eu assistíamos a tudo isso impávidas, ela achando tudo muito natural e eu com certa apreensão. Como estava ficando tarde e o jogo dos dois não evoluia, sugeri a Daguimar levar Meg para passar aquela noite na casa do noivo pois já tinha ouvido falar que fêmeas no cio devem ir ao territórios dos machos onde eles se sentem mais seguros e confiantes, facilitando o julgo.

Como éramos quase vizinhos de prédio, à noitinha deixei Meg na casa de Trovão e voltei para casa ansiosa que chegasse logo o outro dia para ouvir a boa notícia do cruzamento. Dormi e sonhei com latidos de cães a noite toda. Na manhã seguinte, bem cedo, ouço batidas na porta e atendo um jovem rapaz, filho de Daguimar, trazendo Meg pela coleira: -"Não deu em nada", disse ele. Brincaram muito mas à menor tentativa de aproximação mais íntima de Meg, Trovão corria e se escondia debaixo da cama". "Ele se cansou logo". "Trovão não é de nada", sentenciou. "Pobre Trovão", pensei. Desacreditado por um membro da própria família. O rapaz nem tentou dourar a pílula ou arranjar desculpas para o seu cão. "Isso é coisa do sexo masculino", pensei. "Machismo de humanos para animais".

Fiquei triste por Trovão e insisti para que tentássemos outra noite, "aquela poderia não ter sido o dia certo para Meg", concluí pensando em dar mais uma chance ao cão de limpar o seu nome e se impor perante o jovem daquela família.

Na noite seguinte Meg seguiu com meu filho para a casa de Daguimar e daquela vez os latidos que ouvi a noite toda não foram em sonhos. Na manhã seguinte Meg é devolvida de volta para casa virgem e exausta, e com a honra de Trovão definitivamente manchada.

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 23h53
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26/02/2009


 
 

Os pretendentes de Meg - "Trovão"

 

O primeiro pretendente de Meg foi Trovão*, vizinho nosso, e foi amor à primeira vista. Dos donos, é claro, pois ela foi logo partindo para cima do rapaz latindo como uma doida e o assustando um pouco. O dono de Trovão, Aguinaldo*1, gostou imediatamente de Meg. Talvez não tanto pela sua pelagem champagne e marrom que combinava com a de Trovão, marrom avermelhada, mas pela esperança que vislumbrou de seu cão desencalhar depois de quase 8 anos de celibato. Formariam um belo par, pensava Aguinaldo, que também já vislumbrava os filhotinhos que sairiam à semelhança de ambos. A esposa de Aguinaldo, Daguimar*2, apaixonou-se literalmente por Meg - ela só tinha filhos homens - e imediatamente a convidou para passar um final de semana prolongado com eles, na praia, para incentivar e alcovitar o namoro com Trovão, preparando-o para o próximo cio da cadelinha.

Concordei de imediato com a ida de Meg para a praia e foram três dias de paz aqui em casa. Não se ouvia nenhum latido e pela primeira vez meu filho Caio dormiu até mais tarde, sem ser acordado pelos latidos dela à chegada na portaria do jornaleiro, do porteiro, do homem do gás, do carteiro, do entregador de marmitas e água mineral ou de algum visitante. Tentei até me comover um pouco com a ausência dela e dramatizei com meu filho "a falta que ela estava fazendo", mas concluímos que era uma "falta aliviada". Incentivada por Caio resolvemos ligar pra saber como ela estava mas lembrei-me que não tinha pego o telefone deles e nem dado o meu. Caio, preocupado e me censurando questionou: - "e se Meg não se adaptasse lá e se chorasse, e se adoecesse e se eles precisassem entrar em contato conosco"...

Na segunda-feira cedo recebo Meg de volta pela mão de Aguinaldo. Ele estava pálido e de olheiras. Ela exausta, mas feliz. Ele rapidamente apressou-se a me entregar a guia e já ia se despedindo quando curiosa perguntei: -"E aí? Como foi? Como ela se comportou"? - "Ah, ela latiu um pouco, ficou a noite toda na varanda latindo à cada pessoa que passava". "- Ela comeu direitinho? -"Sim, no almoço comeu a ração de Trovão e depois o bife que compramos prá ela pois você disse que ela não comia ração... à noite tomou chá com pão, como você recomendou" finalizou e saiu apressado.

Mais tarde resolvi visitar Daguimar para saber o que realmente tinha acontecido visto a laconicidade masculina em determinados assuntos, principalmente tratando-se de cães. Ela estava em estado de graça. Disse que Meg era adorável, que tinha latido todas as noites na varanda, protegendo a casa e que ela se sentiu segura e feliz... Que Meg dava pulos inesperados em seu colo e se assentava lá por um bom tempo, tomando o lugar de Trovão que imediatamente assumiu o segundo lugar no posto da casa, conformado e feliz.

Graças a Deus o noivado não estava rompido. Agora é esperar o próximo cio de Meg embora, no meu íntimo, eu ache que ela ainda não tem juízo para criar filhos.

Até o próximo cio,

* -  nome fictício para preservar a privacidade do cão;

*1 - idem para preservar o dono do cão;

*2 - idem para preservar a dona do cão.

 

21.03.07

 

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 21h21
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25/02/2009


Carnaval, a festa mais popular, com certeza, não é mais na Bahia.

 A dupla Dodô e Osmar com a criação de seu trio elétrico em 1950 decretou a democracia do carnaval onde pobres, ricos, negros e brancos cantavam e brincavam “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Hoje, quase 60 anos de sua criação, com o crescimento da industrialização do carnaval da Bahia com seus trios elétricos espetaculosos e camarotes de alto luxo – todos cobrando preços exorbitantes – com o patrocínio de diversas empresas de bebidas e também com a mídia brasileira vendendo ilusões, fica evidente a impopularidade dessa festa que tornou-se uma festa para gente com muita grana.


 

Durante todos esses anos, nós soteropolitanos assistimos passiva e vergonhosamente nossos conterrâneos pobres, negros e brancos, serem alijados dessa festa. Não podem mais aproximar-se de seus ídolos (compram seus CD caríssimos e com sacrifício) porque esses mesmos ídolos, famosos, com seus trios elétricos, criaram blocos com cordão de isolamento que transmitem a mensagem - aqui pobre não entra, vão brincar em outro lugar”.


 Só curtem o carnaval da Bahia turistas de classes sociais abastadas - até aí tudo bem - mas que não querem conhecer o povo baiano e nossa cultura local. Vão embora para suas cidades, não dispostos ouvir tão cedo, as músicas tocadas nos trios elétricos, não agüento mais que três dias”, disse-me um deles. Não querem aproximação, quero tomar um banho de bucha e esfregar bem para tirar essa “inhaca” de pobre e negro”, ouvi de outro turista.


 

Reclamamos do barulho, da sujeira nas ruas, das barracas instaladas em qualquer lugar, da violência crescente, mas não nos preocupamos que o carnaval da Bahia deixou de ser uma festa democrática, sem nenhum comprometimento com a igualdade ética e social. Preferimos fugir da cidade responsabilizando o governo local de todas as mazelas dessa festa, esquecendo que também somos co-responsáveis ao nos omitirmos e, contribuirmos assim para a descaracterização e a desorganização do carnaval da Bahia. 


 

Portanto, se não há nada que possamos fazer para mudar a hipócrita frase “A festa mais popular da Bahia”, fiquemos, então, só a reclamar. E, se não pudermos mais brincar e cantar atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”, cantemos então “vamos fugir, proutro lugar baby, vamos fugiiiiirrrrr (Gilberto Gil).


 

É isso... Coisas do maravilhoso carnaval mais “Impopular do Brasil.”


- Por Silvana Ferreira Santos – em 23/02/2009

Escrito por Silvana Ferreira Santos às 00h59
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24/02/2009


 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meg & Dinha Elza& Filhos de Gandhy

 

Sair com Dinha Elza e Meg neste carnaval só abriu portas, literalmente falando. Para os desavisados e não leitores deste blog Dinha Elza tem 87 anos e Meg tem 5. Dinha Elza é uma foliã das maiores e todo ano vai todos os dias de carnaval ao camarote do Bahia Flat  e fica de pé, agarrada  à frente do gradil, acompanhando atentamente a passagem de todos os trios, com a programação na cabeça. Só se senta entre a passagem de um trio e outro,  ao contrário de mim que fico logo cansada e busco o descanso dos pés e dos ouvidos numa cadeira na recepção.

Cada ano fico mais preocupada nas idas e vindas dela que tem que ser de carro ou táxi. Mas os policiais do trânsito e os taxistas abrem passagem e portas  para aquela velhinha que pensam com certeza vai para casa descansar e tomar remédios. Na volta, outra preocupação é caminhar até o Morro do Gavazza e esperar que algum táxi nos apanhe. Ontem fomos surpreendidas por uma van que fora levar uma vip a um camarote nas redondezas, e vendo aquela cabecinha branca  gentilmente nos ofereceu uma carona. Chegamos ilesas e fresquinhas em casa. Dinha Elza, pelo menos pois eu cheguei "acabada" pelas sete horas de exposição sonora e da posição vertical.

Hoje deixei Dinha Elza ser levada para o Bahia Flat por seus sobrinhos, para descansar e passear um pouco com Meg pela Barra. A ladeira estava infestada de integrantes do Afoxé Filhos de Gandhy - o maior bloco de afoxé do mundo (Guiness Book, 2008) todos oferecendo  beijos às meninas que encontravam em troca de seus famosos  colares de contas azuis e brancas que carregam traspassados nos ombros - muito cotados pelas mulheres. Uma mocinha que estava sendo assediada por um integrante do bloco engraçou-se com Meg e tentou fazer-lhe algum carinho. "Se beijar ela tô fora", advertiu o rapaz à moça.

Entrando no espírito do carnaval brinquei  com  outro Filho de Gandhy que passava e disse que Meg queria um beijo. "Se ela estivesse de abadá eu dava". disse ele, provocando gargalhadas nos transeuntes. Mais adiante pedi a outro que respondeu: "se ela falasse eu até encarava. Na íntegra". Fomos descendo a ladeira Meg e eu leves e soltas, dando risadas do humor dos Filhos de Gandhy que juntavam-se aos grupos de meninas para tentar conseguir beijos e beijos pela troca dos colares. Ouvimos de uma: "A boca dos "Filhos de Gandhy está um lixo". "Cheia de sapinhos"! Mas a surpresa maior da noite foi a chegada de dinha Elza em casa, lá pela meia-noite, com o pescoço todo enrrolado por colares de contas azuis e brancas...

Ajaiô,

 

 

 

Categoria: Meg e eu
Escrito por Escrito por Dillu Machado às 21h57
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